Mostrando postagens com marcador Você Sabia ?. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Você Sabia ?. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Loucos ou Santos ?

Como vocês sabem , sou psicóloga e durante o período da faculdade , fomos convidados por
um dos professores , a conhecer uma instituição psiquiátrica , a Colônia Juliano Moreira ,
com o objetivo de após a visita , fazermos um trabalho a respeito da tal instituição .




Aqui você encontra a 2 parte desse documentário

Fiquei tão horrorizada com o que vi e presenciei , que é óbvio que o meu trabalho foi um pau dentro na instituição e como resultado disso , ganhei um redondo e enorme zero no trabalho.


Então fui perguntar ao professor , o motivo da nota , já que o objetivo do trabalho era
a impressão que havíamos tido da instituição e do trabalho realizado nela.


Desfecho da história:

Mandei o professor ir se catar , abandonei a sala de aula e fui reprovada na matéria.



Depois disso , decepcionada , triste e revoltada com tudo que havia presenciado , toda a
 minha vontade de trabalhar em instituições psiquiátricas foi por ralo abaixo.



No entanto , nessa visita à Colônia Juliano Moreira , tive a honra e oportunidade de conhecer
" O Bispo " e foi através dele que fui capaz de revisar todo o meu olhar sobre a loucura .



Então eu os apresento ao " Bispo ou " Arthur Bispo do Rosário ".



Natural de Japaratuba-Sergipe, Arthur Bispo é descendente de escravos africanos, foi marinheiro na juventude, vindo a tornar-se empregado de uma tradicional família carioca.



Na noite de 22 de Dezembro de 1938 , Arthur Bispo do Rosario , despertou com alucinações que
o conduziram ao patrão, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária.



Depois de peregrinar pela rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal , terminou subindo ao Mosteiro de São Bento , onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus , encarregado de julgar aos vivos e aos mortos.



Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como negro , sem documentos e indigente e conduzido ao Hospício Pedro II (o hospício da Praia Vermelha) , primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto (1881-1922).



Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira ,
localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de "esquizofrênico-paranóico".
Lá recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos.



" O Bispo " driblava a instituição manicomial todo tempo.
Se recusando a receber tratamentos médicos e da instituição ,
 retirando subsídios para elaborar sua obra.



É dentro deste contexto que Arthur Bispo (1909-1989) nega o esperado papel da
estagnação pessoal e coloca mãos à obra para transformar seu ócio em criação.



Desfiando os uniformes dos internos do hospital , o artista encontra sua matéria prima e
marca registrada: as nunces de azul das linhas utilizadas em seus bordados.



“Bispo é a prova real de que o homem pode criar , não importa
as dificuldades técnicas ou materiais”



As obras são perturbadoras por transpor as fronteiras
da insanidade, da realidade e da arte.



Refugiado em sua cela , Bispo mesclava genialidade e doses de delírio
para compor as instalações , colagens e tapeçarias.



Não bastasse ter sido encarcerado em um manicômio , Arthur Bispo também demorou para ser reconhecido no campo artístico e assumiu , mais uma vez , um papel marginalizado , agora no circuito das artes no Brasil.



Sua obra delirante só foi reconhecida após uma matéria do jornalista
Samuel Wainer Filho veiculada em 1980.



( Estátua do artista em sua terra natal , japaratuba , Sergipe )

Dois anos depois, o crítico de arte Frederico Morais incluiria suas obras na exposição
“À Margem da Vida”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM.

"Eu não quero me libertar totalmente da loucura,
porque eu quero ter o direito de dizer o que eu penso!"

Ainda sinto muita loucura... mas sobre todos os pontos de vista vou cada dia, cada vez melhor!"

( Frases colhidas do Documentário de Perto quem é Normal? )

No total , Bispo elaborou mais de mil obras que foram consagradas no mercado internacional e
que circulam em diferentes museus internacionais. O conjunto foi tombado em 1992 pelo
Instituto Estadual do Rio como patrimônio artístico e cultural e atualmente está sob
os cuidados da Associação dos Artistas da Colônia Juliano Moreira.

" Os doentes mentais são como beija-flor,
nunca pousam.
Estão sempre a 2 metros do chão ".

( Bispo do Rosário )




Aqui  , você encontra uma historia dele ,
 que nos faz pensar sobre o que é ou não a loucura.

Aqui , um video sobre a vida e a obra dele.


quarta-feira, 21 de março de 2012

A Chita e sua história


Chita




A Chita é um tecido de algodão com estampas de cores
 fortes , geralmente florais e tramas simples.


 As estamparia é feita sobre o tecido conhecido como morim.


 Uma estampa característica de chita sobre outro
 suporte que não seja morim não é chita.


As características principais são:

Cores primárias e secundárias em massas chapadas que
cobrem totalmente a trama , tons vivos , grafite delineando os desenhos , e a predominância de uma cor.


As cores intensas servem , não só para embelezar o tecido ,
mas também para disfarçar suas irregularidades ,
como eventuais aberturas e imperfeições.


O nome chita vem do sânscrito chintz , surgiu na Índia medieval
e conquistou europeus , antes de se popularizar no Brasil.

 

O Século das Chitas

Até o final dos anos 20 , a manufatura têxtil de algodão absorvia 40% do nosso capital e 23% de toda a nossa mão-de-obra empregada em nossa indústria.


 A estamparia ia a pleno vapor no ano de 1885 e as chitas já
 eram fabricadas em larga escala em grandes empresas.


Em 1912 surgiu a Companhia Fabril Mascarenhas.

Começava ali a trajetória de uma empresa que não cresceria muito , mas que começaria a produzir a chita nos anos 70 e o chitão na década seguinte , mantendo essa produção em plena atividade até os dias de hoje , sob o comando do neto do coronel Mascarenhas ,
 José Henrique Mascarenhas.


A Primeira Guerra Mundial , teria efeito benéfico
 sobre a produção  brasileira.

Os países europeus tiveram suas produções manufaturadas
 suspensas e se dedicaram à produção de armas.

 Logo , o Brasil começou a tomar lugar de destaque no
 comércio internacional de produtos manufaturados.


De 1931 a 1938 a produção nacional de tecidos de algodão
 cresceu em cerca de 50% , alcançando os 963.757.666 metros anuais.


 É desse período a fundação da
Fiação e Tecelagem São José , em Mariana , Minas Gerais.

 Nela começou a produção de chita e a gestação do chitão.

Funcionários da Fiação e Tecelage São José

Em 1944 era aberta em Contagem , cidade na região metropolitana de Belo Horizonte , a Estamparia S.A. , que é uma das poucas empresas que ainda produz chita , mas apenas 100 mil a 150 mil metros por mês , o que corresponde a 5% de sua produção mensal de tecidos.



Com o fim da guerra , a chita continuava vestindo os trabalhadores braçais e os moradores das regiões rurais , e era , e ainda é , o pano característico das festas populares.


(Descrição da Imagem: dois personagens do Maracatu totalmente vestidos de chita com "Burrinhas" penduradas aos ombros. a colorida imagem dos dois está no meio de um denso matagal dando um contraste muito interessante)

 Também era usada nas periferias urbanas.

Era a vestimenta do dia-a-dia ou a
chamada roupa de brincar das crianças.


Como surgiu o Chitão (anos 50)
.
As revistas femininas da época ditavam a moda , vinda de
Paris e ensinavam o comportamento feminino ideal :
 o de submissa rainha do lar.


A drástica virada de mesa dos anos 60 ainda estava por vir ,
 para mudar os rumos de lares , mulheres , rainhas ,
 moda e usos da chita.


(O Concurso do Vestido de Chita completava 30 anos e dava-se no Palácio de Cristal do Porto. Nas imagens: o público que acorreu ao recinto de variedades da Feira do Porto; as concorrentes, entre elas a segunda classificada, Maria Eugénia da Purificação, de Massarelos.)

A Fábrica de Tecidos Bangu deixara de produzir chita para pesquisar, desenvolver e produzir tecidos de qualidade à altura do mercado internacional , usando principalmente o algodão como matéria-prima. Encerraria , assim , sua função inicial de grande produtora de morins e chitas. Até o encerramento de suas atividades existia , na sede da fábrica , no Rio de Janeiro , a chamada Sala das Chitas.



Saiba um pouco da história da Fabrica Bangu Aqui

As antigas instalações da Fábrica de Tecidos Bangu - símbolo da região por ela ocupada, na zona oeste do Rio de Janeiro - reabriram como centro de compras.
Funcionando desde outubro de 2007, o Bangu Shopping foi implantado na área da Companhia Progresso Industrial do Brasil - nome oficial da Fábrica de Tecidos Bangu, que se instalou
 naquele bairro carioca no final do século 19 e lá funcionou por mais de um século.



No final da década de 1950 , a Fiação e Tecelagem São José voltou-se à demanda especifica de sua clientela , e começou a fazer testes para fabricar tecidos , entre os quais a chita , com largura maior.

 A essa nova chita , mais larga , deu-se o nome de chitão , que “só deu certo e foi divulgado na década de 1960 , quando todo mundo começou a fazer também”, recorda-se Oziris Cimino , diretor comercial da Fiação e Tecelagem São José.


Hoje , o que caracteriza o chitão são as dimensões e
 as cores de suas estampas florais.


Se alguém fizer essa estampa sobre outro suporte que não seja morim , certamente a referência do novo tecido será “estampa de chitão”.



sexta-feira, 9 de março de 2012

Como Surgiu o Vidro


A história da descoberta do vidro é bem antiga , e os primeiros registros datam de 5000 a.C. ; quando mercadores fenícios descobriram acidentalmente o novo material ao fazerem uma fogueira - na beira da praia - sobre a qual apoiaram blocos de nitrato de sódio ( que serviam para segurar suas panelas).
 O fogo , aliado à areia e a o nitrato de sódio , originou , pela primeira vez acredita-se , um líquido transparente , o vidro.


Posteriormente, 100 a.C. , os romanos já produziam vidro por técnicas de sopro em moldes , para confeccionar suas "janelas".



Entre 500 e 600 d.C , um novo método possibilitou a execução do vidro plano , por sopro de uma esfera e sua sucessiva ampliação
por rotação em forno ( até o século XIX , a maior parte da
 produção de vidro foi feita por esse sistema ).


Por volta de 1300, o vidro moldado à rolo foi introduzido em Veneza (técnica vinda do Oriente , através das Cruzadas).
 Assim a ilha de Murano notabilizou-se e especializou-se na produção artística do vidro , tendo aparecido nesta época o cristal.



Ainda nesta data, descobre-se um novo processo: por sopro de cilindros (que foi revolucionária para a produção de vidros planos).
Por ação simultânea de sopro e força centrípeta, originária da movimentação do cano , obtinha-se um cilindro (50 cm de diâmetro por até três metros de comprimento) ; que depois era colocado em um forno ("estendeira") e deixado para estender.



Da Idade Média em diante , a fabricação do vidro tem sido um assunto de peritos guardado com ciúmes contra restrições familiares e espionagem industrial.

Pinned Image