quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Desabafo de uma Mulher Moderna




São 6h.

O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.


Estou tão acabada, não queria ter que trabalhar hoje.

Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música,
cantarolando, até!


Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles.


Se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.



Aquário?


Olhando os peixinhos nadarem.


Espaço?


Fazendo alongamento.



Leite condensado?


Brigadeiro.

Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira
e colocar o cérebro pra funcionar.



Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos da mulher e
 por que ela fez isso conosco, que nascemos depois dela.

Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, a trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária...

Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã tampouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço".



QUE ESPAÇO, MINHA FILHA!!??

Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés.


Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos,
que raio de direitos requerer?



Agora eles estão aí todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz!



Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres,
isso sim!



E, PIOR, nos largando no calabouço da solteirice aguda.



Antigamente, os casamentos duravam para sempre.



Por que, me digam por que, um sexo que tinha tudo do bom e
 do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter
a competir com o macharedo?


Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso...


Tava na cara que isso não ia dar certo.



Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes,
escolher que roupa vestir, que sapatos, acessórios, que perfume combina com meu humor,
nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada,
de morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do computador,
com o telefone no ouvido, resolvendo problemas.



Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre
 em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas,
unhas feitas, sem falar no currículo impecável,
 recheado de mestrados, doutorados, e especialidades.



Viramos "super-mulheres", mas continuamos a
ganhar menos do que eles...



Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô
na cadeira de balanço?



CHEGA!!!

Eu quero alguém que abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia,
faça serenatas na minha janela...



Ai, meu Deus, são 7h30, tenho que levantar!



E tem mais... que chegue do trabalho, sente no sofá,
coloque os pés pra cima e diga
 "meu bem, me traz uma dose de whisky, por favor?",
pois eu descobri que é muito melhor servir.



Ou pensam que eu tô ironizando?



falando sério!


Estou abdicando do meu posto de mulher moderna...



Troco pelo de Amélia.



Alguém mais se habilita?


Antes eu sonhava, agora nem durmo mais.



(autora desconhecida)

O.B.S : Confira aqui,a situação da mulher,no mercado de trabalho e situação familiar de alguns anos atrás e o resultado do censo do IBGE,em 2010,aqui.


3 comentários:

angela disse...

Ola Patricia!!!!Também já pensei em tudo isso que vc acabou de escrever.Sou de uma geração bem mais velha que a sua e passei por todas essas etapas,de trabalhar fora,ter que cuidar de filhos,ser a cabeça da família,etc,hoje com filhos já casados e netos chego a conclusão que minha avó sim foi uma mulher bem mais feliz e realizada que eu ou você,tinha um marido que trabalha fora e cuidava de tudo.Sim as mulheres não sabem oq querem e o q perderam.Bom dia e não corram muito,não vale à pena.

Aaliyahrj disse...

Trabalho fora desde os 14 anos. Faço parte da geração mulher moderna e independente. Criei meu filhote sozinha, conheci meu marido anos depois. Em 2010 decidi dar a um basta a tudo e virar dona de casa. Fiz uma reunião familiar e comuniquei que pararia de trabalhar; meu marido ganha para bancar a acasa e meu filho já não depende de mim. Fui extremamente feliz(sem hora e rotina, o dia todinho para mim) por 1 ano... Depois disso o tédio chegou.
Voltei a trabalhar este mês, me inscrevi no shopping para um extra de Natal. Embora seja um trabalho completamente diferente da minha área (sou professora) estou adorando. Estava sentindo falta de sair,conversar e conhecer pessoas. É bom ficar em casa, mas depois de um tempo me senti meio "inútil". Acho que nós, mulheres modernas, temos a necessidade de estar sempre produzindo.
Bjoks

marcia disse...

Patricia amada de Deus,
amei este post, ri sozinha até...realmente temos a necessidade de estar sempre produzindo como a amiga acima disse, mas produzir não significa que temos que ter hora marcada, estresse etc, podemos produzir de outra forma sem correria. Eu comecei a trabalhar com 16 anos, estou com 32 anos de contribuição e sem idade para aposentar, e ainda por cima estressei, adoeci, até hoje lutando com a saúde, e cheguei à conclusão para que tanta correira, tanta preocupação, tanto estresse...a vida é uma só, e devemos fazer o melhor possível para vivê-la bem, e no final ainda termos saúde para gozá-la. Então...nem amélia, nem moderninha demais, devemos ter um meio termo, difícil né, mas não impossível.
Deus te abençoe querida, tenha um excelente final de semana, sem correria, curtindo seu tempo livre.
Márcia
www.luzartes.blogspot.com