quarta-feira, 21 de março de 2012

A Chita e sua história


Chita




A Chita é um tecido de algodão com estampas de cores
 fortes , geralmente florais e tramas simples.


 As estamparia é feita sobre o tecido conhecido como morim.


 Uma estampa característica de chita sobre outro
 suporte que não seja morim não é chita.


As características principais são:

Cores primárias e secundárias em massas chapadas que
cobrem totalmente a trama , tons vivos , grafite delineando os desenhos , e a predominância de uma cor.


As cores intensas servem , não só para embelezar o tecido ,
mas também para disfarçar suas irregularidades ,
como eventuais aberturas e imperfeições.


O nome chita vem do sânscrito chintz , surgiu na Índia medieval
e conquistou europeus , antes de se popularizar no Brasil.

 

O Século das Chitas

Até o final dos anos 20 , a manufatura têxtil de algodão absorvia 40% do nosso capital e 23% de toda a nossa mão-de-obra empregada em nossa indústria.


 A estamparia ia a pleno vapor no ano de 1885 e as chitas já
 eram fabricadas em larga escala em grandes empresas.


Em 1912 surgiu a Companhia Fabril Mascarenhas.

Começava ali a trajetória de uma empresa que não cresceria muito , mas que começaria a produzir a chita nos anos 70 e o chitão na década seguinte , mantendo essa produção em plena atividade até os dias de hoje , sob o comando do neto do coronel Mascarenhas ,
 José Henrique Mascarenhas.


A Primeira Guerra Mundial , teria efeito benéfico
 sobre a produção  brasileira.

Os países europeus tiveram suas produções manufaturadas
 suspensas e se dedicaram à produção de armas.

 Logo , o Brasil começou a tomar lugar de destaque no
 comércio internacional de produtos manufaturados.


De 1931 a 1938 a produção nacional de tecidos de algodão
 cresceu em cerca de 50% , alcançando os 963.757.666 metros anuais.


 É desse período a fundação da
Fiação e Tecelagem São José , em Mariana , Minas Gerais.

 Nela começou a produção de chita e a gestação do chitão.

Funcionários da Fiação e Tecelage São José

Em 1944 era aberta em Contagem , cidade na região metropolitana de Belo Horizonte , a Estamparia S.A. , que é uma das poucas empresas que ainda produz chita , mas apenas 100 mil a 150 mil metros por mês , o que corresponde a 5% de sua produção mensal de tecidos.



Com o fim da guerra , a chita continuava vestindo os trabalhadores braçais e os moradores das regiões rurais , e era , e ainda é , o pano característico das festas populares.


(Descrição da Imagem: dois personagens do Maracatu totalmente vestidos de chita com "Burrinhas" penduradas aos ombros. a colorida imagem dos dois está no meio de um denso matagal dando um contraste muito interessante)

 Também era usada nas periferias urbanas.

Era a vestimenta do dia-a-dia ou a
chamada roupa de brincar das crianças.


Como surgiu o Chitão (anos 50)
.
As revistas femininas da época ditavam a moda , vinda de
Paris e ensinavam o comportamento feminino ideal :
 o de submissa rainha do lar.


A drástica virada de mesa dos anos 60 ainda estava por vir ,
 para mudar os rumos de lares , mulheres , rainhas ,
 moda e usos da chita.


(O Concurso do Vestido de Chita completava 30 anos e dava-se no Palácio de Cristal do Porto. Nas imagens: o público que acorreu ao recinto de variedades da Feira do Porto; as concorrentes, entre elas a segunda classificada, Maria Eugénia da Purificação, de Massarelos.)

A Fábrica de Tecidos Bangu deixara de produzir chita para pesquisar, desenvolver e produzir tecidos de qualidade à altura do mercado internacional , usando principalmente o algodão como matéria-prima. Encerraria , assim , sua função inicial de grande produtora de morins e chitas. Até o encerramento de suas atividades existia , na sede da fábrica , no Rio de Janeiro , a chamada Sala das Chitas.



Saiba um pouco da história da Fabrica Bangu Aqui

As antigas instalações da Fábrica de Tecidos Bangu - símbolo da região por ela ocupada, na zona oeste do Rio de Janeiro - reabriram como centro de compras.
Funcionando desde outubro de 2007, o Bangu Shopping foi implantado na área da Companhia Progresso Industrial do Brasil - nome oficial da Fábrica de Tecidos Bangu, que se instalou
 naquele bairro carioca no final do século 19 e lá funcionou por mais de um século.



No final da década de 1950 , a Fiação e Tecelagem São José voltou-se à demanda especifica de sua clientela , e começou a fazer testes para fabricar tecidos , entre os quais a chita , com largura maior.

 A essa nova chita , mais larga , deu-se o nome de chitão , que “só deu certo e foi divulgado na década de 1960 , quando todo mundo começou a fazer também”, recorda-se Oziris Cimino , diretor comercial da Fiação e Tecelagem São José.


Hoje , o que caracteriza o chitão são as dimensões e
 as cores de suas estampas florais.


Se alguém fizer essa estampa sobre outro suporte que não seja morim , certamente a referência do novo tecido será “estampa de chitão”.



4 comentários:

Alessandra ( Realizando Sonhos...) disse...

Menina amei seu post, confesso que não li tudo, mas depois eu volto para terminar de lê.

Muito interessante seu post!

Bjão

casa de fifia disse...

Oi Patricia
li o post Do começo ao fim,
com muito prazer.
e fiquei super feliz de saber mais sobre esse tecidinho que fez parte da minha vida de menina nordestia,eu lembro que minha mãe me fez um completo de chita,era a moda Da saia cigana,e eu ficada toda feliz com minha sai de chita,
eu não sabia que a chita era antiga assim,e que tinha vinda da Índia,
eu imaginava que ele fosse brasileira E NORDESTINA.
BACI

Nadja disse...

Excelente post!

Sou do tempo em que a chita era um tecido destinando somente aos miseráveis, porque nem pobre usava roupa de chita...rs
Tudo mudou e hoje é um tecido que cabe muito bem em qq classe social, graças a Deus!


Bjksss

Mary de Godoy disse...

Adorei estas informações... a Chita deve ser relembrada na moda.. o que de fato não a contece... amei!